Preparando-se para a retomada do crescimento

Desviar da crise: chorar ou vender lenços?

Desviar da crise: chorar ou vender lenços?

É fato que o Brasil passa por um momento de crise política e econômica, duas áreas de extrema importância para o desenvolvimento de um país. No campo econômico, a junção de baixo crescimento, juros altos e inflação alta é mais que suficiente para afetar o humor da classe empresarial que não se vê disposta a realizar grandes investimentos.

Neste universo, todos os setores sentem o momento de desaquecimento, inclusive o mercado de Tecnologia da Informação, que não passa imune ao momento atual do país. “Quando todos os segmentos econômicos estão segurando investimentos e isso atinge também o nosso segmento porque as empresas adquirentes de produtos e serviços de TI tendem a adiar seus fechamentos de contrato na espera de um cenário melhor ou minimamente mais claro”, diz Flávio de Barros, presidente do PISO – Polo Industrial de Software de Ribeirão Preto e região.

Entretanto, há uma diversidade muito grande de empresas de TI, que são de portes variados e que atuam em muitos segmentos diferentes. Dessa maneira, a crise não atinge igualmente a todos e , mesmo nesse cenário adverso, há oportunidades de crescimento. “Cada empresa deve procurar estudar e entender com profundidade o seu mercado alvo e o de seus concorrentes. A partir daí, é importante criar boas estratégias de vendas para capturar as oportunidades que surgirem. Mesmo na situação de crise, há empresas crescendo e investindo em TI”, revela Flávio.

Um ótimo exemplo de empresa que segue na contramão da crise é a CHB Sistemas, que desenvolve softwares para os mercados sucroalcooleiro e calçadista. Após sentir uma queda de 5% na receita, a empresa planejou-se e atualmente investe na atualização de seus programas, contratando, para isso, 11 novos profissionais. “Para encarar o momento de desaquecimento, tínhamos duas opções: ou reduziríamos em 40% nossa mão-de-obra retendo gastos, ou então, planejaríamos novos investimentos, vislumbrando a retomada do crescimento da economia, prevista para daqui dois anos. Optamos pela segunda opção”, conta o diretor comercial da CHB, Mário Martinez.

Decidindo manter colaboradores e ainda aumentar o quadro de profissionais, a CHB optou por preparar-se para o futuro. “As crises são passageiras e quando passam, precisamos de ‘músculos’ para voltar a crescer. Além disso, essa é uma oportunidade para as empresas realizarem uma análise criteriosa de como a organização está aplicando seus recursos e se está recebendo o devido retorno. O cuidado que se deve ter quando se avalia custos é para que os cortes, se necessários, limitem-se às “gorduras” e não corte ‘músculos’, afirma o presidente do PISO.

Ou seja, mais que nunca, é necessário estudar e entender o mercado, que aliás, revela que enquanto alguns setores e até mesmo regiões retraem, outras crescem, como aponta dados da última pesquisa mensal de comércio divulgada pelo IBGE.  Os setores de móveis e eletrodomésticos acumulam retração de 6,1% nos últimos 12 meses encerrados em Maio. Já os setores de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e perfumaria acumulam alta de 6,8% no mesmo período.

Neste panorama, segundo Flávio de Barros, uma coisa é certa. “Em cenários de incerteza, a retração nos investimentos aliada a reduções menos criteriosas de custos tendem a aumentar ainda mais a crise. E como ouvi em uma palestra: enquanto alguns choram, outros vendem lenços. O desafio é aprendermos e estarmos prontos para vender lenços”, conclui o presidente do PISO.

 

A era dos aplicativos: este é só o começo!

Novos aplicativos surgem todos os dias, como um flash, promovendo grandes mudanças na rotina das pessoas. O casamento entre internet e telefones celulares com a origem dos smartphones, motiva essa realidade, que leva conforto, praticidade e segurança aos mais conectados.

No Brasil, está um dos grandes mercados consumidores de smartphones e consequentemente de apps. Hoje, a penetração de smartphones na população brasileira está próxima de 29%, praticamente um em cada três brasileiros usa um mobile. O país é o líder na América Latina e o sexto no mercado mundial.

Uma pesquisa anual realizada pela Google Brasil aponta que existam no Brasil 40 milhões de consumidores multitelas. E mais, cerca de 10 milhões de brasileiros passarão a integrar esse batalhão de pessoas nos próximos anos.

Neste universo, o empresário Ronan Morais Rocha, sócio-fundador da fábrica de software Heurys Tecnologia, de Ribeirão Preto, revela que com US$ 1,5 bilhão de faturamento anual, o Brasil é o 11º país mais lucrativo do mundo no mercado de aplicativos.

O sucesso dos apps para equipamentos móveis vem das facilidades que os usurários têm para desenvolver atividades pessoais e profissionais em qualquer ponto do planeta, desde que se encontre conectado à internet.

“Entre essas ações, profissionais podem levar suas apresentações em um tablet/smartphone, solicitar um táxi mais próximo sem ter que aguardar, traçar a melhor rota de deslocamento visualizando o trânsito, pesquisar os melhores restaurantes, hotéis, passagens, conectar-se às redes sociais, etc”, exemplifica Ronan.

O diretor da empresa de tecnologia, também desenvolvedora de apps, ressalta que é comum as pessoas consultarem seus dispositivos até 150 vezes por dia. “Gastamos cerca de duas horas, por dia entretidos com esses produtos. Hoje, as pessoas incorporam os dispositivos móveis e os aplicativos em sua rotina. Os smartphones e tablets caíram no gosto das pessoas, que não largam seus aparelhos de jeito nenhum”, esclarece Ronan.

Neste cenário, o mercado de desenvolvimento de aplicativos móveis se expande rapidamente. No ano de 2013, atingiu uma receita global de 27 bilhões de dólares, com crescimento de 100% ao ano. Pesquisas recentes da Gartner preveem que o mercado represente US$ 77 bilhões em 2017.

Não é à toa que em recente entrevista para a Revista Exame, a Presidente do Google para as Américas, Margo Geordiadis disse que a experiência de consumir será, em breve, totalmente guiada pelos smartphones.

De acordo com ela, embora mais de 90% do varejo mundial ainda seja físico, porque as pessoas gostam de ver o produto antes de comprá-lo, o consumidor, quando chega à loja, já pesquisou tudo na internet através de seus smartphones, e garantiu que as empresas mais bem-sucedidas são aquelas que já entenderam a transição do computador para o celular.

Sob esta visão, os empresários devem se atentar à evolução tecnológica, pois há um público muito grande consumindo apps móveis. “Se o público alvo está nessa condição, então é provável que o seu negócio deva ter um aplicativo”, explica Ronan, alertando os empresários de plantão.